Não dá mais para fingir normalidade. O Brasil se transformou em um teatro de absurdos onde o roteiro é escrito por autoridades que deveriam defender a Constituição, mas preferem pisoteá-la em nome de interesses pessoais e jogos de poder.
Estamos em um país onde um ministro do Supremo Tribunal Federal se dá ao luxo de ligar para deputados e senadores para fazer ameaças políticas. Isso mesmo: um membro da mais alta corte do Judiciário, que deveria ser guardião da legalidade, age como chefe de quadrilha, pressionando o Legislativo com o tipo de conduta que beira o crime. E o que acontece? Nada. Nenhuma reação firme do Congresso. Nenhuma CPI. Nenhuma investigação. Apenas o silêncio ensurdecedor da covardia — ou do medo.
Medo, aliás, que parece ser a principal política em Brasília. Não é segredo que muitos parlamentares têm processos em andamento e vivem à sombra de decisões judiciais. E quando quem deveria ser julgado está sentado na cadeira do juiz, o jogo é sujo — e viciado.
Em que outro país do mundo uma universidade pública, financiada com o suor do povo, permite uma competição de quem enrola baseado mais rápido? Isso não é liberdade acadêmica. É escárnio. É a banalização completa da seriedade do ensino superior. Enquanto estudantes de outros países estão criando tecnologias e disputando medalhas científicas, no Brasil a universidade vira palco de apologia às drogas e militância política. E quem critica é chamado de retrógrado. Ora, se é esse o “progresso”, o buraco é mais fundo do que pensávamos.
E o Judiciário? Transformou-se em uma máquina seletiva de libertação. Condenados em todas as instâncias são soltos por decisões monocráticas, como se todo o processo judicial fosse um capricho descartável. O crime compensa quando se tem bons amigos em tribunais superiores.
E quando surgem provas reais, claras, documentadas, contra membros do Judiciário, o que acontece? Nada. Nenhuma sindicância. Nenhum afastamento cautelar. Porque a verdade é esta: muitos desses ministros viraram intocáveis. Estão acima do bem e do mal, imunes a qualquer forma de fiscalização. A República virou refém de toga.
E no Executivo, o que vemos? Um governo que não esconde mais que prefere o povo cada vez mais pobre. Em recente declaração, Lula (PT) afirmou que o controle social em o povo não tenha dinheiro é mais fácil governar. Não é apenas uma frase infeliz — é uma confissão de projeto de poder baseado na miséria alheia. Governar mantendo o povo de joelhos: essa é a real política pública.
A pergunta que ecoa é simples, direta e incômoda: como pode dar certo um país assim?
Não pode. Não vai. Não enquanto o cidadão continuar calado, anestesiado por migalhas e distraído com escândalos que já nem causam choque, de tão comuns que se tornaram.
O Brasil não precisa de reformas. Precisa de vergonha. Precisa de um levante cívico, ético, político e moral. Porque não existe futuro possível onde ministros ameaçam, deputados se acovardam, universidades se corrompem, juízes livram criminosos, e o povo é mantido na miséria como método de governo.
Ou o país acorda — ou afunda de vez.
Por Marcos Soares
Jornalista – Analista Político instagram.com/@marcossoaresrj | instagram.com/@falageralnoticias
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