Hugo Motta entra no jogo de Lula e ajuda a traçar ofensiva contra Bolsonaro

O governo petista precisa de um culpado para sua crise com os EUA — e escolheu Eduardo Bolsonaro como bode expiatório

Lula (PT) decidiu abrir guerra contra a família Bolsonaro e, para isso, conta com a ajuda de Hugo Motta, presidente da Câmara. Em reunião fora da agenda, realizada na noite do dia 12 de agosto, o alvo foi definido: Eduardo Bolsonaro (PL-SP), exilado nos Estados Unidos.

O petista não esconde que quer eliminar de vez a influência do clã rival. Mas, por trás da retórica, há uma estratégia clara: culpar os Bolsonaro pelo fracasso diplomático de seu próprio governo.

A Casa Branca já deu sinais claros de desconfiança com Lula. Cancelou encontros de ministros, barrou Alexandre Padilha em evento oficial e até permitiu que parlamentares americanos sancionassem Alexandre de Moraes. Diante do vexame, o Planalto precisou inventar um inimigo interno — e jogou toda a culpa sobre Eduardo Bolsonaro, acusado de usar seu prestígio em Washington para influenciar decisões da era Trump.

Nada mais conveniente: se o Brasil perde espaço internacional, a responsabilidade não é da diplomacia ideológica de Lula, mas sim de seu inimigo político.

A presença de Hugo Motta na articulação não é detalhe irrelevante. Líder de um partido que transita entre governo e oposição, o presidente da Câmara foi convocado para dar verniz institucional à ofensiva contra os Bolsonaro. Lula sabe que precisa do Congresso para enfraquecer de vez sua principal ameaça eleitoral.

A ordem é clara: reduzir o espaço político dos Bolsonaro a qualquer custo, seja pela narrativa, seja por medidas no Legislativo.

O episódio escancara a estratégia petista: quando o governo erra, transfere responsabilidades. Se a inflação sobe, a culpa é do “governo passado”. Se a relação com os EUA desmorona, o vilão é Eduardo Bolsonaro. Enquanto isso, Lula avança em conchavos de bastidores para calar adversários e moldar a política ao seu gosto.

O governo Lula precisa inventar inimigos para esconder seu fracasso. O problema não é Eduardo Bolsonaro, mas a incompetência do Planalto.

O encontro secreto de Lula com Hugo Motta não é apenas mais uma reunião de bastidores: é a confissão de que o governo petista teme os Bolsonaro mais do que admite em público. Ao transformar Eduardo no grande culpado da crise, Lula tenta matar dois coelhos: apagar os erros de sua diplomacia e enterrar de vez o maior rival que ainda o assombra.

Por Marcos Soares
Jornalista – Analista Político                                                                                                                                   instagram.com/@marcossoaresrj    |  instagram.com/@falageraltv

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