Avião russo sancionado pelos EUA pousa em Brasília, segue para Venezuela e Cuba — e governo mantém silêncio
O Cargueiro militar Ilyushin IL-76TD, ligado a operações suspeitas, permanece sem explicação oficial após três dias em território brasileiro.
Um avião russo sancionado pelos Estados Unidos desde 2023 voltou a colocar o Brasil no centro de um enredo geopolítico obscuro. O cargueiro Ilyushin IL-76TD, matrícula RA-78765, pousou em Brasília no último domingo (10) e permaneceu por três dias na Base Aérea da capital federal. Na quarta-feira (13), partiu rumo a outros países da América do Sul, passando pela Venezuela e, neste fim de semana, aparecendo em Havana, Cuba.
O itinerário, que envolve países alinhados a Moscou, é marcado por lacunas, mistério e silêncio oficial.
Mistério na Base Aérea de Brasília
A aeronave permaneceu estacionada por 72 horas em território brasileiro, em uma área militar de alta segurança, sem que o governo explicasse os motivos da passagem ou o conteúdo da carga transportada.
A Força Aérea Brasileira não respondeu a questionamentos da imprensa sobre a operação. Fontes ligadas ao setor aéreo confirmaram que o operador do voo solicitou anonimato e se recusou a fornecer detalhes sobre a missão.
Histórico suspeito
O IL-76TD é conhecido por transportar cargas militares, incluindo armamentos, em rotas que frequentemente envolvem a Venezuela e, em ocasiões anteriores, até mesmo a Coreia do Norte. Por isso, o cargueiro foi alvo de sanções dos Estados Unidos em 2023.
Segundo registros internacionais de tráfego aéreo, a aeronave já teria realizado entregas de equipamentos de uso bélico para governos alinhados ao Kremlin, especialmente em regiões de tensão diplomática.
O itinerário opaco
Depois de deixar o Brasil, o avião foi rastreado na Venezuela, país que mantém estreita cooperação militar com a Rússia. Agora, encontra-se em Havana, Cuba, outro aliado histórico de Moscou.
A sucessão de pousos em nações com fortes vínculos políticos e militares com o Kremlin reforça as suspeitas de que a missão envolve operações sensíveis, possivelmente fora dos padrões comerciais comuns.
Silêncio do governo brasileiro
Até o momento, o governo Lula não apresentou nenhuma explicação sobre os motivos da entrada do cargueiro russo no Brasil. Também não se sabe se houve autorização especial, inspeção da carga ou interação oficial entre as autoridades brasileiras e a tripulação.
A ausência de transparência desperta preocupações diplomáticas: o Brasil pode ter servido como ponto estratégico para uma operação internacional da Rússia em plena América Latina — o que coloca em xeque a neutralidade do país em um contexto global já marcado por tensões militares.
Risco de cumplicidade
A omissão do governo pode ter efeitos graves. O pouso de uma aeronave sancionada por Washington em Brasília, sem justificativa oficial, expõe o país a questionamentos internacionais e até a possíveis retaliações diplomáticas.
O episódio levanta uma pergunta incômoda: estaria o Brasil, mesmo que de forma passiva, colaborando com uma operação secreta russa na região?
Por Marcos Soares
Jornalista – Analista Político instagram.com/@marcossoaresrj | instagram.com/@falageraltv
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