A Justiça da Flórida, nos Estados Unidos, expediu um mandado de prisão contra o ex-presidente de Cuba Raúl Castro, de 95 anos, por sua suposta participação na derrubada de dois aviões da organização Irmãos ao Resgate, em fevereiro de 1996. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (19) pelo procurador-geral do estado, James Uthmeier. O novo mandado estadual acusa Castro de conspiração para cometer homicídio em primeiro grau.

O ataque ocorreu em 24 de fevereiro de 1996 e provocou a morte de Carlos Costa, Pablo Morales, Mario de la Peña e Armando Alejandre Jr. As vítimas integravam a organização formada por exilados cubanos, conhecida por realizar voos de busca e resgate de pessoas que deixavam Cuba pelo mar. Três dos quatro mortos eram cidadãos americanos.

Segundo as autoridades da Flórida, as aeronaves civis estavam desarmadas e foram atingidas por caças cubanos sobre águas internacionais. Na época, Raúl Castro comandava o Ministério da Defesa de Cuba, durante o governo de seu irmão, Fidel Castro. A acusação atribui a ele responsabilidade pela autorização da operação militar.

Ao anunciar a medida, Uthmeier afirmou que Castro teria determinado a infiltração de agentes no grupo de exilados e ordenado o ataque. As declarações integram a versão apresentada pela acusação e ainda dependem de julgamento.

O procurador-geral também sustentou que o mandado poderá limitar os deslocamentos internacionais do ex-dirigente cubano, especialmente para países que mantenham acordos de extradição com os Estados Unidos. A expedição da ordem, porém, não significa que Castro tenha sido preso ou condenado.

O caso volta ao centro das iniciativas de responsabilização pelo episódio, três décadas depois das mortes. A medida anunciada nesta segunda-feira acrescenta uma acusação estadual à disputa judicial envolvendo o ataque às aeronaves do Irmãos ao Resgate.