Uma apreensão de 5.700 maços de cigarros com irregularidades realizada em Itatiaia, no Sul Fluminense, ganhou repercussão política após o chefe de gabinete da deputada estadual Sarah Pôncio (Solidariedade) comparecer ao posto fiscal utilizando um veículo com placa da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para obter informações sobre a ocorrência.

A carga foi interceptada na quarta-feira (16), no Posto Fiscal de Nhangapi, durante uma ação conjunta de agentes da Operação Foco, vinculada ao Gabinete de Segurança Institucional do Estado (GSI-RJ), e fiscais da Secretaria de Estado de Fazenda. Segundo informações divulgadas sobre a fiscalização, foram constatadas inconsistências na documentação apresentada e divergências relacionadas à procedência dos produtos.

No dia seguinte à apreensão, o chefe de gabinete da parlamentar esteve no posto fiscal para solicitar informações sobre as irregularidades identificadas na carga. O deslocamento ocorreu em um automóvel identificado como pertencente à Alerj.

Documentos relacionados ao transporte indicam que os cigarros tinham como destino uma empresa ligada a Jonathan Couto de Souza, ex-marido de Sarah Pôncio. Reportagens publicadas nesta sexta-feira (18) também relacionam o episódio ao núcleo empresarial da família da deputada. Até o momento, a apreensão da carga, por si só, não representa responsabilização criminal da parlamentar ou de integrantes de seu gabinete.

Pai da deputada é investigado pela Polícia Federal

O caso ocorre meses depois de Márcio Pôncio, pai de Sarah, ter sido preso pela Polícia Federal durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada em 2 de julho. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis conexões entre integrantes do jogo do bicho, o mercado clandestino de cigarros e agentes públicos no Rio de Janeiro.

Na ocasião, também foram expedidos mandados contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e outros investigados. Segundo a Polícia Federal, Márcio Pôncio é investigado por uma possível atuação no eixo econômico relacionado ao mercado clandestino de cigarros, acusação que ainda depende da conclusão das investigações e de eventual decisão judicial definitiva.

A nova apreensão em Itatiaia deverá passar por análise das autoridades fiscais e de segurança para esclarecimento da origem dos cigarros, da regularidade da documentação e das circunstâncias envolvendo o transporte e o destino da mercadoria.